Leituras

 Por Que Adoecemos?  Quando adoecemos nossa primeira decisão é a de exterminar o sintoma e raramente paramos para refletir o motivo de sua existência. Acreditamos que estar doente é algo que nos traz mal estar e passamos a não perceber este fenômeno como uma resposta inscrita em nós mesmos. 

 É frequente segmentarmos o indivíduo em duas instâncias distintas: mente e corpo. Muitas vezes os tratamos de forma separada, o que nos afasta de enxergarmos o indivíduo como um ser único, ignorando a importância de observarmos a existência de um mundo interno, muito pessoal, de onde emergem sentimentos que são manifestados principalmente pela via corporal. 

 O corpo funciona como uma tela para a vida, no qual se inscrevem nossas perfeições e imperfeições, toda nossa trajetória e as experiências emocionais e físicas. Quando observamos nossos sintomas, as ocasiões em que aparecem, as repetições e quando se iniciaram, podemos conhecer mais sobre nós mesmos. Uma emoção que não pôde ser devidamente expressada, um trauma não acolhido, adversidades com as quais temos dificuldades em lidar podem resultar em sintomas como dores, incômodos ou até mesmo em doenças graves, degenerativas e crônicas.  

Quando não estamos em equilíbrio nosso corpo se torna suscetível a um possível adoecimento. O desequilíbrio contínuo pode gerar sintomas físicos e psicológicos, influenciando o sistema imunológico. A maneira como o sujeito adoece depende de fatores como as experiências vividas, o momento existencial, as tendências genéticas e o seu desenvolvimento psíquico. Muitas vezes deixamos em segundo plano o aspecto psicológico, que constitui a subjetividade e individualidade de cada um. Compreender nossas emoções nos leva a encontrar o equilíbrio e nos torna mais fortalecidos para lidar com o que nos afeta. 

 Durante o acompanhamento de pacientes com histórico de doenças ou dores crônicas é importante a avaliação orgânica realizada por um médico. A avaliação médica Por Que Adoecemos? é muitas vezes a primeira manifestação da “procura por ajuda” de uma pessoa em desarmonia. No entanto muitas vezes, tratamentos sem bons resultados, exames complementares sem quaisquer alterações e a persistência de lesões levam a um desnorteamento de profissionais e pacientes. Isto acontece sempre que o foco de tratamento é a doença e não o indivíduo. Considerar o adoecimento da mente pode ser peça chave para um diagnóstico e tratamento eficientes.  

A psicoterapia voltada à psicossomática trabalha o fortalecimento emocional e a compreensão de si mesmo, propicia o conhecimento das próprias limitações e auxilia na descoberta de caminhos para mudanças de alguns padrões que nos fragilizam. Além disso, relaciona como tais fatos coexistem com as dores e possíveis lesões orgânicas que se apresentam. 

A manifestação dos sintomas é um sinal de que algo não está fluindo bem há algum tempo. Uma emoção pode ser ignorada, um sintoma dificilmente é. O corpo pede o cuidado que a mente necessita. necessita.

https://rsaude.com.br/londrina/materia/por-que-adoecemos/7905#:~:text=A%20maneira%20como%20o%20sujeito,e%20individualidade%20de%20cada%20um.


Afinal, por que adoecemos?


Desde o início dos tempos o ser humano convive com a fragilidade da sua própria existência e, exposto a esta condição, reconhece sua invulnerabilidade diante da vida. Vista aqui como a ausência da saúde ou seu próprio desequilíbrio, a doença sempre causou medo e apreensão no ser humano, uma vez que representa o sofrimento, condição a qual ele sempre prefere evitar. 


Na antiguidade clássica, Sócrates, o maior filósofo de seu tempo, declarou que “Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro, as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar.” Sócrates viveu em 469 a.C., e mesmo levando em consideração as condições precárias de saúde em sua época, já nos fornece uma pista muito importante: as causas da doença estão inseridas em um contexto muito mais amplo.


Não só os ocidentais, mas também os orientais tinham pensamentos semelhantes. Os hindus, por exemplo, acreditavam nas leis do Dharma e do Karma e entendiam como ninguém como funcionava esse mecanismo. O Dharma, sendo concebido como a Lei Universal - a harmonia, a natureza, Deus - , e o Karma como a aplicação desta Lei, já dá ao homem moderno uma visão bastante abrangente sobre o que significa estar em desequilíbrio com a Lei Universal ou com a própria natureza, por assim dizer. 


A ciência, por sua vez, também não está totalmente afastada deste conceito. Há muito tempo já trabalha com a Lei de “Causa e Efeito”, que significa que “a toda causa corresponde um efeito inverso de igual intensidade”. Isso explicaria uma série de fenômenos presentes em nossos dias e em nós mesmos. Os hindus, porém, foram mais adiante e reconheceram esta lei da causalidade nos campos mais sutis do homem e não somente no campo físico. O homem então não seria composto apenas por seu corpo biológico, mas de outros campos que estariam diretamente ligados ao corpo e interferindo em seu bom ou mal funcionamento. 


Portanto, segundo esta linha de pensamento, tudo que estiver em desarmonia com a Lei Universal , com a natureza ou com o próprio ser – ou com o Cosmos, como preferiam os filósofos clássicos –, será fonte de sofrimento e dor, mesmo que esta condição se manifeste fisicamente para corrigir o próprio desequilíbrio ou para nos avisar de que algo não está em perfeita sintonia. 


Corpo, mente e espírito


Sabemos que existem condições fisiológicas que determinam a doença, mas se fomos criados saudáveis, crescendo e nos desenvolvendo em condições favoráveis à saúde, por que em dado momento começamos a apresentar quadros de adoecimento através de vírus, bactérias ou mesmo de outras anomalias? Poderíamos dizer que seria mera causalidade ou na verdade foi algo em nós que se modificou sem nos darmos conta? Pesquisas e estudos no mundo inteiro apontam para a segunda hipótese: não percebemos os primeiros indícios porque não sabemos escutar a nós próprios e só prestamos atenção quando nosso corpo já está doente. 


Quantas vezes buscamos um médico para aliviar um desconforto que não conseguimos explicar e mesmo o médico também não consegue identificar o problema? Pacientes geralmente se queixam de algo que não é uma dor, mas uma sensação de desarmonia que não sabem definir. É um aviso de que algo não vai bem em níveis mais sutis.


Este aviso é o que chamamos de sintoma, que nada mais é do que um recurso desenvolvido pelo organismo para prevenir consequências mais graves ou fatais.


Mas é somente quando os exames laboratoriais indicam que nada está fora do normal é que notamos que os sintomas desta desarmonia começam a aparecer. Neste momento temos a pista de que algo mais profundo deve ser buscado na intimidade do nosso ser, em nosso psiquismo, pesquisando sentimentos e frustrações, pois é exatamente aí que se esconde o início de todo desequilíbrio que gera o adoecimento. 


Um novo conceito de saúde


Em janeiro de 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu que “saúde é um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. Assim passamos a entender que o homem é um ser social que possui um corpo físico, mental e espiritual e este entendimento é fundamental para compreender porque adoecemos. Encontrar este equilíbrio é o grande desafio que todos nós enfrentamos.


A nova medicina já considera que a enfermidade física pode ter origens não só em hábitos nocivos de vida como também na forma como nos posicionamos diante dela. Sentimentos e atitudes negativas, assim como pensamentos de baixa autoestima, podem desencadear uma série de desordens que vão se manifestar no corpo físico mais cedo ou mais tarde. Ao contrário, sentimentos e atitudes positivos geram enormes benefícios e qualidade de vida. Se nossos valores definem nosso comportamento, e nosso comportamento define nossa personalidade, tudo isso precisa estar em harmonia para termos uma vida saudável e plena.


Portanto, enquanto o indivíduo não buscar o caminho do autoconhecimento e passar a cuidar também do que acontece em outros campos de sua existência, estará mais sujeito a adoecer. A partir do momento que nos concebemos como sendo corpo, mente e espírito torna-se fundamental uma mudança na postura de vida para ter uma vida mais plena e feliz.


Autora: Dra. Elba Garber


Porque adoecemos ?


Sem dúvida alguma mais de uma vez nos perguntamos sobre isso. Por que duas pessoas que estiveram no mesmo ambiente receberam a mesma alimentação e descansaram durante as mesmas horas, não desenvolvem enfermidades idênticas ? Por que uma adoece e a outra não ? Podemos pensar por acaso que os vírus, bactérias, etc. descriminam ? Atuam de acordo a causalidade ? Por que dois irmão criados na mesma família, cuidados de maneira idêntica, um tem asma e outro não ? Se reduz tudo a uma predisposição fisiológica ?


Os questionamentos dos porquês de nossas enfermidades não manifesta apenas curiosidade, mas é uma preocupação de médicos e pacientes para responder, podemos até justificar pela lei da causalidade, podendo ser um determinismo genético ou aceitar a aleatória eleição dos germens.


Sem dúvida as explicações que impedem avançar na cura não nos satisfazem completamente. Se tudo acontecesse ao azar ou por causa da genética, nada mais poderíamos fazer do que esperar.


Concordamos que existe uma condição fisiológica; mas se o homem foi criado saudável, cresceu e se desenvolveu em tal condição, porque em determinado momento de sua visa sem causa aparente começa a desenvolver quadro inflamatórios parecendo captar todos os vírus e bactérias que se encontram no ambiente ? É isto obra da causalidade ou alguma coisa nele se modificou prévia e imperceptivelmente ? E se houve uma mudança ou aconteceu realmente alguma coisa imperceptível ?Ou pensaríamos que não prestou atenção aos indícios ? Será que aprendeu a ouvir o seu ser ao ainda não aprendeu a escutar-se e apenas o faz quando seu corpo já esta doente ?


Mais de uma vez, seguramente procuramos o médico porque não nos sentimos bem e sem dúvida ele também não consegue localizar os nossos mal-estares.


É alguma coisa impossível de localizar, não é uma dor, mas uma sensação de desarmonia.


O profissional então, sem um sintoma evidente solicita uma longa lista de exames que espera possam indicar se existe alguma doença que ainda não se manifestou de maneira clara.


Quando visitamos o médico novamente, ele sorridente nos diz que estamos bem e todos os órgãos funcionam perfeitamente e que talvez aquilo que estejamos sentindo seja apenas cansaço e esgotamento. Recomenda-nos umas férias, prescreve algumas vitaminas e assim ambos ficam tranqüilos e satisfeitos.


Mas, ao chegar em casa percebemos que a irritabilidade persiste, que a angustia e um desassossego continuam, apensar de uma lista de exames nos dizerem que estamos bem.

Mas não nos sentimos bem. Então o que acontece ? Voltamos ao médico ele adiciona um tranqüilizante à receita que durante um certo tempo até parece minorar o nosso sofrimento, mas, com o tempo a medicação mostra-se insuficiente, às novas visitas médicas será trocado por medicamentos mais potentes até que ao final novos exames de laboratórios acabam nos informando sobre alguma doença que possa ser rotulada.


São os sintomas iniciais da desarmonia que surgem quando os exames laboratoriais nada demonstram que nos dão a pista de que algo mais profundo deve ser buscado na intimidade profunda do ser, em seu psiquismo, pesquisando seus sentimentos, suas frustrações, pois ai é que se esconde o início de toda a desarmonia.


É claro que todos nos nascemos com um grande número de - defeitos de fabricação -, que ao longo da vida manifestar-se-ão mais cedo ou mais tarde, sempre dependendo dos fatores que quebrarão a harmonia do individuo.


O adoecer está intimamente ligado à nossa vida emocional.


Texto adaptado para a BVS-Ho. por Dr. Matheus Marim

Revista Homeopatia para Todos, AMHA, Argentina, n. 3, Ano I, Agosto/Setembro-1994


Suponho que a pergunta acima deva ter produzido nos leitores um leve estado de confusão. Afinal, a pergunta correta não seria: “Por que adoecemos?” em vez de “para que”? De fato, admito que não temos tido a experiência cotidiana de pensarmos nossas doenças como sendo destinadas a alguma finalidade. Por outro lado, não nos furtamos a atribuir a quase todas as nossas demais ações alguma motivação, ou seja, alguma intenção subjacente. Quando nos perguntam coisas como: “Para que você está trabalhando?” não titubeamos para fornecer uma série de razões: conseguir dinheiro, ajudar a família, sustentar um lar etc. Do mesmo modo ocorre com inúmeros outros comportamentos que emitimos no dia-a-dia: temos motivos para comer, para sair à noite, para estudar, para acessar o Facebook, para ir à academia etc. Recorri a tais exemplos apenas com o intuito de mostrar que boa parte da nossa vida é feita de ações que praticamos tendo em vista um objetivo final, um sentido, um propósito.


O que Freud explica


Essa dimensão da existência se tornou ainda mais larga a partir do final do século XIX quando Freud descobriu através do método psicanalítico que uma série de atos psíquicos e comportamentos que, até então, eram vistos como não sendo dotados de significado, se revelou prenhe de intenções e finalidades. Depois da psicanálise, se nos tornou impossível pensarmos os sonhos, os esquecimentos, os lapsos de escrita e todos os tipos de atos-falhos como não sendo carregados de intenções subjacentes, capazes de serem reveladas a partir de uma investigação metódica. Freud, portanto, ampliou ainda mais a esfera da experiência humana em que a subjetividade se faz presente. A partir de então, até os detalhes mais ínfimos da vida cotidiana passaram a receber a atenção dos psicanalistas com vistas à descoberta de tácitos desejos inconscientes.


O que Freud não quis explicar


Todavia, conquanto o maior êxito de Freud tenha sido o de levar a hipótese do inconsciente para a clínica psiquiátrica – o que o permitiu trabalhar com as neuroses a partir da concepção de que os sintomas possuiriam um sentido – a subjetividade encontrou aí, no campo das doenças psicológicas, sua fronteira. Em outras palavras, a psicanálise derrubou os limites da consciência a fim de submeter todas as manifestações psíquicas ao determinismo psíquico, o que só poderia acontecer pela admissão da hipótese do inconsciente. Entretanto, o corpo permaneceu do lado de fora do campo da subjetividade. Nesse sentido, depois de Freud todo acontecimento que está relacionado ao psiquismo possui sentido, finalidade, ou seja, pode ser interpretado a fim de que suas motivações sejam descobertas. Tudo o que diz respeito ao corpo, não obstante, permanece sem significação, submetido unicamente às leis da causalidade física. Dito de outro modo, Freud não avançou a ponto de fazer a subjetividade ultrapassar as fronteiras do psíquico e passar a englobar o corpo.


O modelo biomédico e seu dualismo


É por isso que a pergunta que figura no título deste texto nos parece tão desarrazoada. Acostumamo-nos, mesmo nós, psicanalistas, a pensar a doença a partir do ponto de vista do modelo biomédico, que é a racionalidade que fundamenta a medicina moderna, herdeira dos pressupostos modernos da ciência. Aliás, Freud sempre se manteve fiel a esse modelo, por mais revolucionário que fosse o pai da psicanálise.


Um dos pressupostos que estão na base do modelo biomédico é a separação entre corpo e psiquismo, a qual dá origem à conhecida distinção entre doenças somáticas e psíquicas, com o nebuloso campo psicossomático figurando entre um grupo e outro. Esse dualismo na biomedicina, ao entranhar-se no pensamento comum, nos leva a conceber como sendo impossível uma união indissociável entre subjetividade e corpo. O máximo que conseguimos admitir ainda hoje é que fatores emocionais podem ocasionar somatizações. Mas não é disso que eu estou falando. Não estou me referindo a incidências do psiquismo no corpo, pois, para admitir fenômenos dessa natureza, é preciso supor previamente que as duas instâncias que interagem estão originalmente separadas.


Quando falo de união indissociável entre subjetividade e corpo, estou pensando numa concepção que me permita pensar, por exemplo, que eu posso ficar resfriado não apenas por conta da entrada de um vírus no meu aparelho respiratório, mas para atender a determinados propósitos subjetivos como, por exemplo, evitar certos tipos de cheiros que me recordem lembranças desagradáveis, o que seria possível em função do entupimento do nariz, que é um dos sintomas do resfriado.


Georg Groddeck e a doença como criação


O único autor que, até hoje, vi admitir expressamente tal possibilidade foi Georg Groddeck, que, embora tenha se inserido no campo da psicanálise, não precisou do método psicanalítico para começar a pensar dessa forma. Diferentemente de Freud, que via no inconsciente (e, posteriormente, na pulsão) o link perdido entre corpo e psique, Groddeck não via a necessidade de haver um link! Afinal, corpo e psiquismo eram para ele tão-somente linguagens distintas que o Isso, a totalidade individual, utilizava para se expressar. Em outras palavras, para Groddeck, nós não seríamos seres divididos em uma parte psíquica e outra somática, mas sim indivíduos e, como a própria palavra já indica indivisíveis, integrais, singulares, que ora escolhem as manifestações do corpo, ora as da psique para exprimirem suas intenções.


É essa matriz de pensamento que permitiu a Groddeck pensar todo e qualquer tipo de doença como sendo marcado pela subjetividade, ou seja, como tendo propósito e sentido. Nesse ponto, o leitor pode me inquirir: “Ok, eu admito que, em alguns casos, nós podemos adoecer para atingirmos determinados fins, mas na grande maioria das vezes isso não ocorre. Vide os casos, por exemplo, de tuberculose, que são causados pelo bacilo, ou seja, independem das nossas intenções.”


A finalidade não é a causa única da doença


Respondo a esse questionamento com um argumento utilizado pelo próprio Groddeck: ora, qualquer pesquisador sério sabe que não basta a presença do bacilo de Koch para que alguém contraia a tuberculose. Os bacilos estão por aí, em milhares de corpos que jamais tiveram qualquer sintoma da doença. Por que, então, apenas alguns indivíduos contraem a enfermidade? A explicação que Groddeck propõe e que de forma alguma pretende esgotar o campo dos fatores etiológicos da doença, é de que os indivíduos que adoecem encontram algum propósito no adoecer, intenção que, evidentemente, é de qualidade inconsciente. Atentem para isso: Groddeck não está dizendo que a finalidade, o motivo que o sujeito encontrou para ficar doente é a causa da doença. Groddeck, aliás, abdica de qualquer tentativa de tentar solucionar o problema da causalidade das patologias. O autor não está dizendo que sem o bacilo e apenas com o propósito de ficar doente, é possível contrair tuberculose. O que ele está propondo é que em qualquer tipo de doença, o elemento subjetivo estará presente como um dos fatores em jogo no processo de eclosão da enfermidade.


As palavras e o corpo


O ponto nevrálgico do posicionamento de Groddeck repousa em uma constatação óbvia, que qualquer pessoa que já tenha chorado na vida é capaz de averiguar: trata-se da capacidade que têm as palavras, isto é, o mundo simbólico, de nos impactar, levando-nos à produção de determinadas reações orgânicas. Mencionei o exemplo do pranto: quantas vezes na vida nosso choro não foi desencadeado apenas por termos ouvido determinadas palavras ou pensado em outras? Ora, se as palavras exercem tal poder sobre nosso organismo, levando à produção de lágrimas, porque deveríamos suspeitar da possibilidade de que em outras condições, reações patológicas possam ser produzidas associadas a elementos simbólicos?


Dito de outro modo, Groddeck acerta ao propor que vejamos a doença não apenas como um distúrbio orgânico, mas, sobretudo, como uma criação individual, porque o ser humano se encontra totalmente imerso no universo simbólico. Embora seja na dimensão psíquica que os símbolos se manifestem de modo mais visível, todos nós temos a experiência cotidiana de perceber que nosso corpo reage a eles. Em decorrência, trata-se de um grave equívoco pensar que o simbólico, isto é, o campo em que os fenômenos são dotados de sentido, de propósitos, de “para quê”, engloba apenas o conjunto de nossas manifestações psíquicas.


Quando modificamos o modo tradicional que temos de pensar o corpo, qual seja, como uma máquina, um objeto que funciona dissociado dos meus processos psicológicos, e passamos a adotar o ponto de vista segundo o qual somos uma totalidade simbólica, que está imersa no universo da linguagem, nossa relação com a doença muda completamente. Basta um simples exercício de começar a verificar as conseqüências produzidas em seu cotidiano após o advento de uma doença. O que você teve que deixar de fazer? O que foi obrigado a fazer? Como as pessoas à sua volta passaram a se comportar depois que você adoeceu? O que o órgão sobre o qual a doença incidiu significa para você? Alguém que lhe é importante já ficou doente desse mesmo órgão? Ao se fazer tais perguntas e outras a elas associadas sempre que adoecer e respondê-las com sinceridade, você ficará surpreso ao perceber a funcionalidade que a patologia teve em seu cotidiano, mesmo lhe causando sofrimento.


Por que adoecemos?


Escrito por Escuela Integral para el desarrollo humano

Vivemos com medo da morte e isso nos faz viver em uma constante carreira de fundo com medo de adoecer. Gastamos dinheiro em químicos para tentar atenuar sintomas ou para impedir que as doenças apoderem-se de nosso corpo, da vida. Confiamos em que nos químicos está a solução para superar a doença.

Mas devemos nos questionar para obter as respostas adequadas? Por que adoecemos? Sabe? Um assunto com grande tabu social do qual precisamos fazer uma abordagem desde o entendimento e não desde o medo.

Tudo começa na gestação.

No momento que entramos no útero materno, nesse mesmo instante recolhemos da mãe, do pai e da ancestralidade familiar toda a informação genética saudável e doente de cada um deles; não só em nível físico mas também em nível emocional, psicológico e energético. Dessa forma, também herdamos sentimentos, emoções e padrões de pensamento, igualmente positivos e negativos, embora eles sejam principalmente negativos.

O que quer dizer isso?

Isso significa que já no útero o corpo e o campo emocional se desenvolvem com essas informações e continuamos a crescer após o nascimento com elas.

Quais são as consequências disso?

Com todas as informações negativas, ativamos em nosso organismo, campo emocional e sistema energético todos os danos correspondentes a cada problema, doença, fobia etc.

Podemos definir essas informações como o “despertador” genético e emocional dessas doenças, que não apenas nos afetam fisicamente mas também afetam todos os aspectos de nosso crescimento, começando pelo caráter, a maneira de ser, estar, agir e se comportar.

Isso se torna o gatilho que nos faz gerar mais sentimentos negativos relacionados com os que assumimos, nos desenvolvemos alimentando e aumentando todos os danos causados por esses sentimentos, emoções, traumas e padrões.


O que originamos com isso?

Esta situação, esses mecanismos criam-nos um défice em todos os níveis, principalmente em nível celular e na sinapse neuronal. É por isso que nascemos com um sistema imunológico deficiente. Dessa maneira, as células e o DNA se desenvolvem e se tornam doentes devido às informações que elas contêm.


A forma de nos educar, o meio no qual crescemos e nos desenvolvemos normalmente fazem que essas células cada vez mais se desenvolvam com um padrão de reprodução errado, devido aos padrões que geramos sem consciência de que não são nossos, mas sim uma herança que alimentamos.


Essa herança, sentimentos, emoções, traumas e fobias que alimentamos ao longo do tempo cresce e é o que realmente ocasiona que adoeçamos, com doenças mais ou menos graves, desde uma gripe até um cancro.


É possível reverter essa situação?

A solução não passa por fugir ou ter medo da doença, mas sim agir sobre o que nos leva a adoecer.

Devemos procurar nossa verdadeira raiz, a verdadeira semente, não com a qual fomos concebidos e com a que crescemos.

Nessa procura, limpando todos os registros errados com que fomos concebidos e criados conseguimos que as células também mudem sua informação e formação por células saudáveis, modificando assim o DNA e o sistema imunológico.

Levando-nos a ser saudáveis, não apenas fisicamente mas também neuronal, emocional, psicológica e energeticamente. Esse trabalho só nós podemos fazer.

Como e que o fazemos?


É de sua responsabilidade, da responsabilidade de cada um de nós procurar a pessoa ou o meio através do qual se assessorar e acompanhar para atingir esse objetivo. Também é nossa a escolha de o fazer ou não.

É de sua responsabilidade criar uma nova vida ou ir no comboio que passa pela vida como mais um. Esta é a sua escolha.

Texto escrito por Roberto Castillo.

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A verdadeira origem das doenças 

Qual é a origem das doenças? 

Como elas surgem? 

Enfim, qual é a verdadeira etiologia e gênese das enfermidades?Sabe-se que não é Deus que causa as doenças a seu Bel-Prazer. E sabe-se também que elas surgem de desequilíbrios internos, interiores, do próprio ser (= “do” “ente”) e também da genética, com excessão dos acidentes (automobilísticos, de moto, ferimentos por arma de fogo e branca etc.). 

Isso sucede porque o ser humano é extremamente sensível, pois um olhar, uma palavra, uma ofensa, um medo ou agressão física, podem provocar as mais diversas reações, depressões... e até suicídio e mortes.Assim, podemos generalizar que a verdadeira origem das doenças é um TRAUMA! Sim, TODAS as enfermidades têm na sua causa um ou mais traumas.

 Inclusive, a própria definição de trauma sugere agressão, lesão, quebra do equilíbrio e da harmonia. E o trauma pode ser físico, tóxico, climático, mental, emocional, moral, sexual, psicológico, social, infeccioso... e energético.Portanto, todas as doenças têm na sua gênese um ou vários traumas! E quando esses traumas afloram, devido a um fator gatilho qualquer, ou seja, um fator desencadeante ou deflagrador, fazem surgir as enfermidades conhecidas.

Os traumas geralmente estão arquivados no inconsciente e na genética. E quando falamos em genética estamos nos referindo a vidas passadas. E vidas passadas podem ser entendidas como vidas dos antepassados e também como vidas do próprio indivíduo, segundo o princípio da reencarnação. E, ainda, podem ser consideradas válidas as duas hipóteses.

Pode se deduzir que os traumas adquiridos nesta vida, além de causarem as correspondentes consequências, poderão tornar-se causas de doenças em vidas futuras dos descendentes e/ou próprias.Um aspecto interessante e cabe muitas reflexões é o referente às vidas passadas, quando consideramos as doenças congênitas, ou seja, aquelas que nascem com o bebê, as que são geradas durante a gestação.

 Elas praticamente já afirmam que as suas causas estão em vidas passadas, quer sejam dos antepassados e/ou próprias (p. ex.: cânceres, diabetes, deficiências físicas etc.).Todas as doenças implicam em perdas, desequilíbrios e bloqueios energéticos que, por sua vez, são consequências de traumas pré-existentes, pois todos nós somos sistemas energéticos complexos, poderosos, extremamente sensíveis e interativos com todos os demais sistemas energéticos do universo.As evidências demonstram que o inconsciente e a genética estão diretamente ligados e um interfere no outro, assim como um pode modificar o outro. Portanto, quando se acessa o inconsciente se estará acessando o código genético do indivíduo e vice-versa. 

E todo esse mecanismo obedece a leis universais, invioláveis e inexoráveis, p. ex.: a lei de ação e reação ou de causa e efeito.As enfermidades podem ser tratadas de diversas maneiras. O tratamento mais utilizado pela Medicina alopática e cirúrgica é o que trata o efeito, ou seja, a doença propriamente dita manifestada no corpo físico e os correspondentes sintomas. A Acupuntura, a Homeopatia e várias outras terapias agem num nível mais sutil, ou seja, no nível energético (centros energéticos e meridianos – canais energéticos) e isso acaba refletindo de maneira positiva na doença e nos sintomas. A Fitoterapia age nesses dois níveis: no corpo físico e na parte energética.

 E existe a terapia que age e cura diretamente as causas, ou seja, os traumas do passado, tanto desta vida como de vidas passadas – Regressão Terapêutica e Profilática – que faz com que cesse o estímulo causal e nutridor das doenças, e, como consequência, as enfermidades param de progredir, e, na sequência, estabilizam e regridem até desaparecerem completamente.Isso explica porque certas doenças não são curadas completa e definitivamente e outras até retornam no mesmo local (= recidiva) ou em locais diferentes (= metástase) p. ex.: os cânceres, justamente por não terem sido eliminadas as verdadeiras causas delas.Deve-se, portanto, sempre procurar tratar o corpo físico, os efeitos, o fator energético, o fator espiritual que sempre envolve as enfermidades e também as causas das doenças, e de preferência simultaneamente (= tratamento holístico). Ou então preveni-las, antecipadamente, profilaticamente. Sim, é possível evitar as doenças antes que surjam e se materializam no corpo físico, harmonizando as causas previamente através da Regressão Terapêutica e Profilática.

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Todo dia, desde agosto do ano passado, uma equipe de quase 100 especialistas atende de 15 a 20 pessoas saudáveis que comparecem voluntariamente ao Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP) e passam por uma série de exames ao longo de quatro horas. O ritmo de trabalho deve continuar até março do próximo ano, quando essa equipe espera completar os 5 mil exames da cota paulista de um dos maiores levantamentos epidemiológicos já feitos no Brasil, com foco em doenças cardiovasculares e diabetes. Chamado Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (Elsa), o levantamento mobiliza outras cinco equipes, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, na Bahia, no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo, com cotas menores que a de São Paulo, mas igualmente avançadas nos exames das 1 mil ou 2 mil pessoas que têm de fazer.


A equipe do Elsa pretende avaliar e acompanhar durante 20 anos o estado de saúde de um total de 15 mil homens e mulheres com 35 a 74 anos de idade. Os participantes passam por uma entrevista sobre condições gerais de saúde e depois por 35 exames clínicos e laboratoriais. De acordo com o planejado, no ano seguinte serão procurados para que digam se foram internados ou passaram por alguma cirurgia e a cada três anos farão os mesmos exames de sangue, urina e funções cardíacas. “Não queremos saber apenas quem tem doenças cardíacas num momento específico, mas como e por que essas doenças surgem, qual o peso efetivo dos fatores de risco e como a alimentação interfere para agravar ou proteger”, diz Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Elsa em São Paulo.


O Elsa é chamado de levantamento longitudinal, um tipo de estudo trabalhoso, porque implica o acompanhamento de um grupo grande de pessoas por muitos anos. A maioria dos levantamentos epidemiológicos feitos no país são transversais: consistem de um retrato, por vezes amplo, de um problema de saúde em um momento único, sem comparação com outros momentos. Por essa razão é que os coor­denadores do projeto concordaram, já nas primeiras reu­niões, que as pessoas a serem examinadas e acompanhadas seriam os próprios funcionários das instituições responsáveis pela realização da pesquisa. “Se por um lado sacrificamos a representatividade do estudo, por outro asseguramos a continuidade, já que funcionários públicos são estáveis”, diz Lotufo. Isabela Benseñor, professora da Faculdade de Medicina da USP e vice-coordenadora do Elsa em São Paulo, acrescenta: “Daqui a 20 anos alguém vai ligar para a casa dos participantes e eles provavelmente estarão na mesma casa. Se não estiverem, não será difícil descobrir onde estão morando. Em alguns estudos epidemiológicos às vezes as próprias casas, e não só os moradores, desaparecem”.


Até 21 de setembro, trabalhando do mesmo modo para que os resultados possam depois ser comparados, 300 pesquisadores e assistentes haviam atendido 6.680 pessoas, fazendo exames e coletando informações sobre o estado geral de saúde. Nos próximos anos, à medida que os resultados dos exames forem reunidos e analisados, esse trabalho poderá mostrar o que favorece ou detém o surgimento de muitas doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares e diabetes, e sugerir formas de prevenção mais adequadas ao país. Outro objetivo é verificar se os valores numéricos adotados para definir se uma pessoa está com pressão arterial realmente alta ou sob o risco de infarto estão mesmo adequados à população brasileira. É possível que não estejam.


“Os protocolos de prevenção de doen­ças se baseiam em estudos realizados em países com hábitos alimentares e relações sociais diferentes”, diz Maria del Carmen Bisi Molina, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e vice-coordenadora do estudo no estado. “Reproduzimos valores basea­dos em populações diferentes da nossa, pois não temos indicadores que possam refletir a nossa própria situação”, reforça Sandhi Maria Barreto, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora estadual do Elsa.


O peso da dieta

Há razões para suspeitar também que as doenças cardiovasculares evoluem no Brasil de modo diferente do que se dá em outros países. Uma equipe da Ufes comparou as taxas de mortalidade por infarto no Brasil e em outros países e concluiu que os brasileiros morrem de quatro a cinco anos antes dos moradores dos Estados Unidos ou da Europa. “Ou os fatores de risco como o tabagismo e a hipertensão começam mais cedo ou, quando aparecem, se manifestam de maneira mais agressiva”, cogita José Geraldo Mill, professor da Ufes e coordenador do estudo no Espírito Santo. O peso dos chamados modificadores de efeitos, como a dieta e as relações sociais, capazes de ampliar ou amenizar os fatores de risco de infarto ou de acidente vascular cerebral, ainda é pouco conhecido no Brasil. “Será que o colesterol elevado tem o mesmo efeito que em outros paí­ses? Só um projeto de longa duração pode responder”, diz Mill.


O Elsa é hoje uma linha de produção de exames que correm entre seis estados

EDUARDO CESAR

Este mês uma equipe de entrevistadores vai a campo para perguntar a 300 participantes do estudo (50 de cada um dos seis estados) o que comeram e beberam em um dia específico. Repetirão as perguntas em março e agosto do ano que vem, com o propósito de avaliar o consumo calórico e de nutrientes. “Esperamos entender melhor, analisando os hábitos alimentares, como as doenças aparecem ou como a saúde se mantém”, diz Maria Molina, responsável pelo levantamento dos hábitos alimentares.


Desde já há sinais de que a alimentação no Brasil afora não é das mais saudáveis – e está favorecendo o surgimento de doenças cardíacas e diabetes. Em 1999 e 2000, como parte de um levantamento internacional sobre doença cardiovascular, a equipe do Espírito Santo analisou o estado de saúde e os hábitos de 1.661 moradores de Vitória entre 25 e 64 anos. O sobrepeso era de 52% e o consumo de sal, o dobro do recomendado. Moradores de outros estados podem estar também ganhando peso ou lentamente caminhando rumo a um infarto. A prevalência de sobrepeso ou obesidade na população brasileira passou de 16% para 41% entre os homens e de 29% para 40% entre as mulheres nos últimos 30 anos, segundo uma síntese do Elsa publicada na Revista de Saúde Pública. As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte, com 32% do total em 2003, e de internações hospitalares, respondendo por 22% do total de R$ 6 bilhões gastos com internações em 2005 no Brasil.


“Estamos coletando dados para as futuras gerações de pesquisadores e despertando vocação dos entrevistadores para a pesquisa científica”, diz Dora Chor, professora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz e coordenadora do estudo no Rio de Janeiro. Informações mais consistentes sobre como as doenças surgem e o que poderia ser feito para evitar que se agravem devem começar a aparecer apenas daqui a três anos, mas outros ganhos são imediatos. Um deles nasceu da necessidade de administrar muitos exames continuamente: depois de um teste preliminar com 94 pessoas, a equipe capixaba mostrou que a urina pode ser coletada 12 horas antes, em vez das habituais 24, simplificando a vida de quem terá de comparecer na manhã seguinte, em jejum, para outros exames. “Para a avalia­ção de função renal, taxa de filtração e excreção de sódio e de creatinina, o exame de 12 horas apresenta praticamente os mesmos resultados que o de 24 horas”, diz Mill. “Queremos agora que os nefrologistas vejam, opinem, tentem repetir e adotem ou não.” Os manuais da equipe do Elsa, mostrando como organizar um projeto desse tipo, preparar e manter equipes e fazer exames, também podem ser compartilhados por outros grupos.


O Elsa é hoje uma linha de produção de exames que correm entre seis estados

EDUARDO CESAR

Sem atrasos

As conversas do grupo tomaram a forma de um plano de trabalho, aprovado em 2005 pelo Ministério da Saúde e Ministério de Ciên­cia e Tecnologia, que liberaram R$ 22 milhões para essa pesquisa. “Formamos um consórcio de pessoas e de instituições, com um comitê diretivo, com todos os participantes, que tomam as decisões em conjunto”, conta Isabela. Agora, tão importante quanto a capacidade de produzir informação com qualidade, para que os dados colhidos em Porto Alegre possam ser comparados com os de Salvador, é a habilidade de manter o ritmo de trabalho: até que comece a gerar informações epidemiológicas, o Elsa é uma rigorosa linha de produção contínua de exames e de informações.


“Não posso acumular exames”, diz Lígia Fedeli, chefe da equipe dos exames de sangue e urina. “Todo o material do dia tem de estar identificado e organizado até as 19 horas do mesmo dia.” Lígia e seus 10 assistentes distribuem o sangue de cada uma das 15 a 20 pessoas atendidas por dia em sete tubos plásticos flexíveis chamados palhetas, cada uma com uma etiqueta de código de barras.


A logística impressiona. Uma vez por mês, Lígia recebe mil exames feitos nos outros estados, produz 20 mil palhetas e as envia para os tanques de nitrogênio líquido. Uma vez por mês os tubos são descongelados e o sangue examinado nos laboratórios do hospital da USP. Esse material poderá também mostrar quem, como e por que teve doen­ças mentais como demência ou Alzheimer, já que uma parte dos questionários procura avaliar eventuais perdas de memória. O HU armazena também as amostras de urina, que passam pelos mesmos cuidados e procedimentos, e os exames de ultrassonografia do diâmetro da artéria carótida e da artéria do fígado, usados para avaliar problemas cardíacos. Por sua vez, a equipe de Minas recebe 55 eletrocardiogramas feitos no mesmo dia nos outros cinco centros e a de Porto Alegre um número equivalente de exames da retina, que ajudam a identificar lesões produzidas no olho pelo diabetes.


“Se tivéssemos de parar o trabalho agora, este já seria o levantamento epidemiológico com maior número de participantes adultos já feito no Brasil”, diz Lotufo. Um estudo sobre transtornos psiquiátricos na Região Metropolitana de São Paulo chegou a 2007 com 5.037 entrevistas realizadas. Um levantamento mais parecido com o Elsa consistiu na avaliação de 15 mil crianças nascidas em 1982, 1993 e 2005 em Pelotas, Rio Grande do Sul.


Empreitadas de fôlego como essa costumam ir além do previsto. Um dos levantamentos pioneiros sobre doenças cardíacas, realizado em 1948 com 5.209 homens e mulheres de Framingham, cidade próxima a Boston, nos Estados Unidos, revelou o que hoje parece óbvio: a associação do hábito de fumar, até então ligado apenas a câncer de pulmão, com o maior risco de infarto. Essa relação se tornou clara após alguns anos de acompanhamento da saúde dos participantes do estudo. “Foi uma surpresa, porque nessa época fumar aparecia com frequência em filmes como algo que aliviava o estresse e, portanto, poderia ser benéfico para o coração”, diz Mill.


Mas não é sempre que conclusões de estudos como esse se convertem rapidamente em políticas públicas. “Há muito tempo sabemos que refrigerante e salgadinhos fritos não fazem bem para crianças, mas só agora uma lei nacional proíbe a venda desses alimentos na escola”, observa Maria Molina. Por enquanto os avanços têm sido graduais e contínuos. “Algo difícil, que estamos conseguindo”, diz Lotufo, “é convencer os outros que um hospital universitário tem de fazer pesquisa original e relevante, com espaço e equipe próprios, e não só tirar informações dos prontuá­rios dos pacientes”.


Republicar

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De onde vêm as doenças infecciosas?


Nosso companheiro de genes e doenças ©Aaron Logan
ResearchBlogging.org

Grande parte das doenças infecciosas que sofremos surgiram nos últimos 11 mil anos. Mas de onde vêm os vírus e bactérias que nos infectam? Onde um vírus estava antes de nos encontrar?

A maioria deles têm origem em outros animais, principalmente depois que começamos a
domesticação de animais e agricultura. O motivo disso é que, só com a
domesticação e agricultura, atingimos uma densidade populacional grande
o suficiente para manter epidemias, além de um contato maior e mais
frequente com os animais, fontes de doenças.

Ainda mais recentemente, técnicas
médicas com contato sanguíneo, como cirurgias, transplante de órgãos,
transfusão sanguínea e compartilhamento de seringas e outros procedimentos intrusivos também agravaram a
dispersão de doenças.

Com base na transmissão e circulação de uma doença, podemos dividir o estado dela em estágios (que não tem a ver com a gravidade da doença, apenas com o sucesso na transmissão):

Estágio 1: O micróbio está presente em animais e não infecta
humanos
sob condições normais. Alguns tipos de malária por exemplo, só são
contraídos em caso de acidente com agulhas contaminadas em laboratórios.

Estágio 2: Um micróbio que em condições normais pode ser transmitido
de animais para humanos, mas não circula entre humanos. Ex:
Antraz, raiva e atualmente o Influenza H5N1.

Estágio 3: O micróbio pode passar para o ser humano e sofrer alguns
ciclos de transmissão entre humanos, mas o ciclo humano não se mantém
sozinho. Ex: Ebola e Marburg (um vírus que causa febre hemorrágica,
próximo do Ebola).

Estágio 4: Uma doença que tem ciclos de animais para humanos
(chamado de silvático) mas também pode circular apenas entre humanos. Ex de
doença com o ciclo silvático dominante: febre amarela e doença de Chagas. Ex de humano e
silvático importantes: dengue. Ex de humano dominante: Influenza A e cólera.

Estágio 5: Patógeno exclusivamente humano, não é mais encontrado em outros animais. Ex: Sarampo, rubéola, sífilis e varíola.

Estágios de transmissão de doenças infecciosas. Extraído da fonte no fim do texto.

Um micróbio pode se tornar exclusivamente humano de duas formas. Ou ele
já infectava o ancestral de humanos e chimpanzés (ou antes ainda) e
acompanhou a linhagem
humana, como o HTLV,
ou foi transmitido por outro animal e se
especializou e divergiu dentro do ser humano, como o vírus da varíola,
que divergiu de um vírus próximo que infectava vacas ou camelos.


Quais os motivos para uma doença mudar ou não de um estágio para outro?

O primeiro é a proximidade entre espécies. A maioria das doenças que
nos atingem é de origem primata. Como somos primatas, é mais fácil para
um vírus saltar de um chimpanzé – como o HIV fez – do que de uma planta
(de
onde não contraímos nenhuma doença). Assim , por mais que nossa
convivência com o chimpanzé não seja frequente, quando nos encontramos,
a diferença entre ambos organismos não é uma grande barreira para os
microorganismos.
No caso de doenças
vindas de animais distantes, o mais comum é que elas passem por um
intermediário mais abundante ou convive conosco mais frequentemente,
como a raiva,
originada nos morcegos e adquirida através de cachorros.

gado.jpg
Outro motivo é a convivência com a possível fonte da doença. Com a
domesticação dos animais, passamos a ter muito mais oportunidades de
contrair micróbios deles, como o influenza, causador da gripe, que pode
ser transmitido por patos e porcos, ou a varíola.
Nos casos de animais que têm menos contato conosco,
é menos provável que haja uma mudança de estágio. É mais fácil termos
evitarmos contato com morcegos em um surto de Ebola, ou sacrificar um monte
de porcos e galinhas no caso da gripe aviária, do que se surgisse um
vírus que infectasse cães e tivéssemos que sacrificar os pets – pense no que as crianças achariam.

O vetor (transmissor do microorganismo) também é importante, doenças
como a dengue e a febre amarela estão restritas às regiões onde ocorre
o pernilongo. Já o HIV, por mais que saibamos que é transmitido
sexualmente, não é o tipo de prática que pode simplesmente ser
eliminada.

Quantas pessoas uma doença pode atingir?

Para imaginarmos se uma doença vai ou não causar uma pandemia, devemos
levar em conta alguns fatores.

O perigo não necessariamente depende da
mortalidade da doença. A raiva mata virtualmente 100% dos infectados –
aquele garoto que sobreviveu teve coma induzido e não está lá tão bem
– mas por ser transmitida apenas por mordida de animais infectados, não
é tão frequente. Em compensação o influenza A (gripe) mata normalmente
0,1% dos infectados, mas como infecta muita gente, chega a matar mais
de 35 mil por ano só nos EUA.

Os sintomas que a doença causa também são
importantes, por mais que tenhamos pesadelos quando pensamos nas
pessoas sangrando por todos orifícios com Ebola, é muito fácil
reconhecer esse tipo de sintoma e iniciar uma contenção, enquanto a
gripe é assintomática nos primeiros dias (e continuar assintomática em 1/3 dos casos)  e mesmo assim o doente pode
contaminar outras pessoas.

A gravidade de uma doença está relacionada com a forma de contágio e o
tempo de convivência com ela. A cólera se espalha pela água e se
beneficia de pessoas com diarréia, e uma linhagem que cause diarréia
grave, que espalhe mais bactérias, vai ser selecionada. Já uma
doença que dependa de convívio entre os doentes, geralmente vai ser
selecionada para causar sintomas mais brandos. Por isso, doenças novas
vindas de outros animais podem ser muito letais, elas ainda não estão adaptadas.

Um
exemplo muito usado é o dos coelhos australianos. Os coelhos foram
introduzidos na Austrália por europeus que queriam caçar, e por não
terem predadores viraram uma praga gravíssima, uma entre as várias. Os coelhos brasileiros são atacados
por um vírus chamado mixovírus, e resolveram levá-lo para a Austrália
para matar os coelhos de lá, que não haviam tido contato com ele. No
primeiro ano, para a alegria dos fazendeiros, o vírus matou cerca de
99,8% dos coelhos que infectava, sucesso total. No segundo ano, estava
matando 90%, caiu para 25% e menos depois. Os vírus que não matavam os
coelhos favoreciam o contágio, e foram selecionados para matar cada vez
menos e se espalhar cada vez mais.

Um ótimo jeito de entender como causar pandemia é o jogo em flash Pandemic II. Nele, escolha um microorganismo causador de doença e seu objetivo é
infectar e matar a humanidade. Doenças que causam sintomas muito
aparentes sofrem penalidades, como aeroportos fechados (Madagascar
sempre escapa fechando portos também, dá nervoso) e desenvolvimento de vacinas,
enquanto características que facilitam o espalhamento, como o espirro,
são valorizadas.

Aproveite e leia o texto delicioso do Reinaldo sobre o papel da domesticação de animais no surgimento da doença, Jared Diamond nunca é demais.

Fonte (se você tem um inglês bom, leia, é um artigo muito didático):



Teste

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